Monthly Archives: Agosto 2008

Alerta sobre a inflação

do ESTADÃO

IGP-M MOSTRA DEFLAÇÃO, MAS HÁ NOVAS PRESSÕES
Persistem focos de alta nos serviços e na construção, apesar de as commodities levarem o índice a -0,32%
A queda das commodities, especialmente as agrícolas, derrubou a inflação medida pelo Índice Geral de Preço-Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) deste mês. O indicador fechou agosto com deflação de 0,32%, depois de ter subido 1,76% em julho e atingido o pico de 1,98% em junho. Desde abril de 1999, o IGP-M não registrava desaceleração tão forte em um único mês. De julho para agosto, o índice variou 2,08 pontos porcentuais. Também desde abril de 2006 o IGP-M não acusava deflação.
Apesar da mudança de rota do IGP-M, o cenário para a inflação nos próximos meses não será tão tranqüilo. “A inflação está mudando de cara”, alerta o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.

PARA BC, ALÍVIO É TEMPORÁRIO
Em reunião com economistas, Mário Torós previu retomada da alta no quarto trimestre
O alívio inflacionário mostrado pelos mais recentes indicadores de preços é pontual e insuficiente para levar o Banco Central a interromper o ciclo de aperto monetário, iniciado em abril. Essa parece ter sido a percepção dos economistas de bancos e administradoras de recursos (assets) que participaram na sexta-feira passada, a convite de um banco, de uma reunião com o diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós.

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Proposta eleva a carga tributária para 25,38% do PIB

Vamos ao que importa para o governo: o orçamento para 2009 mostra claramente que vai haver aumento da carga tributária. Não tem Fundo Soberano, Petrolula… Nada disso é importante diante da sanha arrecadadora deste governo. O país não aguenta mais. XÔ IMPOSTO.

ESTADÃO


O Orçamento de 2009 segue a tradição e embute nos números nova previsão de aumento da carga tributária e das despesas do governo. A receita primária da União (composta principalmente por impostos, taxas e contribuições) crescerá de R$ 715,8 bilhões para R$ 808,9 bilhões em 2009, o que representa um aumento de 24,83% para 25,38% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os impostos baterão novo recorde, subindo de 8,59% para 9,06% do PIB. As contribuições sociais permanecerão em torno de 7% e as contribuições de trabalhadores e empregados para o INSS crescerão de 5,62% para 5,89% do PIB. Apesar das incertezas sobre a economia mundial, o governo está mantendo a previsão de que o PIB cresça 5% em 2008 e 4,5% em 2009.

No lado das despesas, praticamente todos os itens terão acréscimo acima do Produto Interno Bruto no próximo ano também, com destaque para os benefícios previdenciários e assistenciais, cuja estimativa é que passem de 8,22% para 8,52% do PIB. Descontando as despesas obrigatórias e a meta de superávit primário, sobraram R$ 151,9 bilhões para o Executivo e os demais Poderes gastarem em investimento e custeio.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, destacou ontem o aumento “positivo” das despesas com educação, que passaram de R$ 11,1 bilhões para R$ 16,5 bilhões, mas, no global, a área social terá apenas mais 23% entre 2008 e 2009, enquanto os gastos da burocracia ministerial serão ampliados em 40,2%.

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Imposto põe gasolina entre as mais caras

Folha de São Paulo

Apesar de auto-suficiente em petróleo, preço nas bombas brasileiras só perde para poucos países, segundo pesquisa
Para especialistas, alta carga tributária sobre o produto faz com que preços em SP estejam no mesmo patamar que os de Tóquio


Apesar do aditivo de álcool, da alardeada auto-suficiência em petróleo e dos aumentos a conta-gotas da Petrobras, a gasolina brasileira está no patamar mais caro do mundo, revela levantamento da consultoria Airinc, especializada em pesquisa de preços globais. A pesquisa compara preços em dólar ao redor do mundo tendo como medida o galão americano do combustível (3,8 litros).
Brasil e Japão, grande importador de petróleo, ocupam a mesma faixa de preço por galão, de US$ 6 a U$ 6,99. O combustível no país só não é mais caro do que em alguns países europeus e em mais cinco de outros continentes. Nos EUA, onde as recentes altas no preço do galão são alvo de protestos e tema crucial nas eleições presidenciais, o produto está três faixas de preço abaixo.
No fim de julho, quando o levantamento foi feito, o galão era vendido nos postos americanos por US$ 3,96 -mas já foi vendido a mais de US$ 4 durante várias semanas do ano. No vizinho de baixo, o México, o preço é de US$ 2,62. No de cima, o Canadá, é de US$ 5,23.
Nas Américas, aliás, Uruguai e Haiti são os únicos países com preço na mesma faixa da brasileira. A gasolina mais barata do mundo é vendida na Venezuela. Com produção própria e subsídios do governo, o consumidor paga US$ 0,12.
O preço da gasolina no Brasil é mais caro do que em muitos outros países por causa da carga tributária, explicam os especialistas. “Como os impostos representam cerca de 50% do preço na bomba, se tirássemos os tributos, a gasolina aqui estaria abaixo do verificado em muitos outros lugares”, afirma Rafael Schechtman, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura.
Hoje, o preço médio do litro da gasolina comercializada no Brasil é de R$ 2,50, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (o preço de referência da pesquisa da Airinc é São Paulo). Desse total, só ICMS, Cide, PIS e Cofins respondem por R$ 1,14.
Nos países da Europa, a carga tributária é ainda maior: cerca de US$ 1,20 por litro. Entre os países da América do Sul, os impostos representam bem menos: US$ 0,40 por litro no Chile e US$ 0,30 na Argentina
“Além da enorme carga tributária, o governo brasileiro usa o preço da gasolina como instrumento de política monetária. Ou seja, ajuda no combate à inflação”, diz Fábio Silveira, da RC Consultores.
Exatamente porque auxilia o governo federal no controle da inflação, o preço da gasolina acompanha só parcialmente as cotações do petróleo no mercado internacional. Após quase três anos de congelamento (e, nesse período, com uma escalada vertiginosa do preço do petróleo), o último reajuste doméstico ocorreu em maio.
Mas o consumidor brasileiro praticamente não sentiu no bolso o aumento -que, para as refinarias, foi de 10% no caso da gasolina e de 15% no óleo diesel. Isso porque, ao mesmo tempo em que o reajuste foi efetivado pela Petrobras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), o chamado “imposto dos combustíveis”.
A alíquota da Cide sobre a gasolina caiu de R$ 0,28 para R$ 0,18 por litro. No diesel, a redução foi de R$ 0,07 para R$ 0,03. É por meio desse imposto que o governo federal “administra” o preço da gasolina no mercado interno.
Caso o reajuste fosse repassado integralmente para o consumidor, o aumento da gasolina teria forte impacto nos índices de inflação -que então registravam trajetória de forte alta e ameaçavam a política monetária executada pelo Banco Central.

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A CSS e o Senado

ATENÇÃO TODOS, VAMOS FICAR ATENTOS. VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO NO SENADO FEDERAL!

Editorial – Correio Braziliense

Quando a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) estava em discussão no Senado, em dezembro de 2007, o governo vaticinou o advento de cenário catastrófico caso a matéria não fosse aprovada. As ações essenciais de saúde pública entrariam em colapso e haveria necessidade de cortes em programas estratégicos de investimento. Na ocasião, contudo, já se tornara indiscutível que as sucessivas elevações na arrecadação de impostos cobririam com folga as perdas com o sepultamento da CPMF. Foi o suficiente para que o Senado rejeitasse a proposta e livrasse o país de um dos tributos mais perversos já admitidos no sistema de incidências fiscais.

Não conformado com a bem inspirada e justa decisão da Câmara Alta, o governo reagiu de imediato com o aumento de 0,38% na tarifa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e passou de 9% para 15% a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas. Justificou a iniciativa como necessária para reduzir a frustração de receitas resultante da extinção da CPMF. Na verdade, serviu-se dos argumentos maltrapilhos da equipe econômica para decretar novo ônus tributário. E, em conseqüência, carrear para o Tesouro mais R$ 10 bilhões anuais.

Mas, sob apoio sinuoso e encabulado do presidente da República, a liderança da base governista conseguiu aprovar na Câmara, por maioria de um voto, substituto para a CPMF. Trata-se da Contribuição Social para a Saúde (CSS). Impõe 0,1% sobre movimentações financeiras. Desta vez, a se acreditar nos autores da iniciativa, os recursos não serão desviados de sua finalidade legal, como ocorreu com a CPMF. Estima-se em R$ 12 bilhões a soma a ser obtida com a nova obrigação.

Não há qualquer justificativa política ou de ordem financeira apta a respaldar a proposta avalizada na Câmara. Em primeiro lugar, porque se esgotaram as reservas de tolerância com a fúria a que tem recorrido a atual gestão federal para sacar dinheiro sobre os ganhos do contribuinte. Depois, se já em dezembro não se vislumbrava escassez de verbas para subsidiar as políticas de saúde, o cenário favorável ao governo é, hoje, ainda mais estimulante.

A arrecadação de R$ 389,633 bilhões no primeiro semestre do ano, ante R$ 332,794 bilhões no mesmo período do ano passado, representou acréscimo de 10,56%. Em número absolutos: entraram a mais nos cofres do Tesouro, descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), nada menos de R$ 56,839 bilhões. Como a expectativa de arrecadação da CPMF para o ano inteiro era de R$ 40 bilhões, os fluxos monetários atraídos pela Receita Federal em apenas seis meses superaram a previsão em quase R$ 17 bilhões.

Desmoronam, pois, os artifícios engendrados por teleguiados do Planalto, a fim de, mediante a CSS, criar nova fonte de abastecimento para os gastos perdulários da máquina governamental. Cabe, ainda uma vez, ao Senado abortar a insuportável agressão à estabilidade das empresas e aos minguados orçamentos domésticos dos trabalhadores.

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O papel da sociedade

As notícias dos últimos dias sobre mais um recorde de arrecadação provocou a manifestação de muitos internautas. Muitos demonstram um sentimento de injustiça extremo, já que se sentem lesados na medida em que pagam impostos (muitos) e depois pagam por serviços particulares de saúde, educação e segurança. Outros apresentam os números de seus orçamentos domésticos – onde pouco sobra e a fatia destinada aos impostos só aumenta.

O Horácio, de São Paulo, lembra que “essa arrecadação é de gente que trabalha, gera emprego e produz o PIB do País”. Defende uma participação mais ativa por parte dos cidadãos, maior cobrança sobre a aplicação do dinheiro. E para isso, explica que é necessário melhorar a educação no Brasil, para que sejam formados “líderes críticos e empreendedores”. Ele está certo. E provavelmente ninguém discorda dele. E aí é que está! Por que, então, as coisas não mudam? O que podemos fazer de imediato?

Nós, do movimento Xô Imposto, acreditamos no envolvimento da sociedade. Consideramos fundamental a participação de cada um, num processo fiscalizador dos nossos políticos e do nosso próprio dinheiro. Isso também é cidadania! Hoje, com a internet, as coisas estão ficando mais fáceis. É possível mandar e-mail, telefonar para os gabinetes, ministérios e secretarias, assistir as sessões, acompanhar votações, comparar as notícias. É possível participar. Políticos não devem ser lembrados apenas de quatro em quatro anos. Eles são escolhidos para representar os nossos interesses. E a nossa voz precisa ser ouvida!

Vamos ficar de olho. Vamos participar. Vamos interagir. Xô Imposto!

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