Monthly Archives: Maio 2008

O Glossário da Inflação

O economista Salomão Quadros, especialista em inflação da FGV e autor do livro Muito Além dos Índices, fez, a pedido de VEJA, um pequeno dicionário sobre a alta nos preços

INFLAÇÃO: Aumento generalizado de preços. Uma alta isolada, como a do feijão, embora apareça nos índices inflacionários, é sinal de um problema específico desse produto (seca ou geada), que poderá ser corrigido na safra seguinte.
AS CAUSAS: A inflação decorre do aumento da demanda agregada (consumo, investimentos, gastos do governo e exportações) em ritmo superior ao da oferta (produção, importação e estoques).
HIPERINFLAÇÃO: Por convenção, é o aumento de preços à taxa mensal de 50%. Ocorre quando o governo perde a capacidade de financiar seus gastos e recorre à emissão geralmente explosiva de moeda.
HIPERINFLAÇÃO NA HISTÓRIA: O caso mais estudado é o da Alemanha, entre agosto de 1922 e novembro de 1923, período em que os preços subiram 10 bilhões de vezes. Mais devastadora foi a hiperinflação húngara, de agosto de 1945 a julho de 1946: os preços ficaram 4 octilhões (4 vezes 10 elevado à 27ª potência) de vezes maiores.
DEFLAÇÃO: Queda geral e sistemática de preços. Se prolongada, é sintoma de perda de dinâmica econômica, como ocorreu no Japão até recentemente.
ESTAGFLAÇÃO: Combinação de inflação com estagnação. Foi o que aconteceu com as economias avançadas em 1974, após o primeiro choque do petróleo.
CORREÇÃO MONETÁRIA: Reajuste periódico de valores financeiros (títulos públicos e privados, saldos de aplicações e de dívidas, entre outros), utilizando como referência os índices de preço. No Brasil, foi introduzida em 1964, substituindo a Lei de Usura, de 1933, que limitava os juros a 12% ao ano. Teve virtudes (o governo passou a se financiar por meio de títulos, reduzindo a pressão inflacionária resultante de emissões de moeda), mas preservava a memória inflacionária.
CHOQUE DE OFERTA: Redução na quantidade ofertada de um produto com o aumento subseqüente de preços. O melhor exemplo é a crise do petróleo.
AGRINFLAÇÃO: Inflação de preços agrícolas.

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“A LUTA, AGORA, É CONTRA IMPOSTOS”


Em 1986, quando apareceram pela primeira vez nas páginas de VEJA, Neide Spacov (à dir.), hoje com 61 anos, e Roseli Carmignani, 53, de São Bernardo do Campo, faziam parte de um grupo de donas-de-casa (foto menor) que abraçou como trabalho voluntário a fiscalização dos preços. O Plano Cruzado, que tinha o tabelamento como uma de suas medidas, havia acabado de ser lançado pelo então presidente José Sarney. O Cruzado fracassou, mas elas se orgulham de ter contribuído para “iniciar o processo” que levaria ao fim o pesadelo inflacionário. A psicóloga Neide segue de olho nos preços. Hoje conta com uma ferramenta nova: a internet. “Compro sempre livros pela rede, consigo preços muito melhores”, diz ela. Já Roseli arrumou uma nova bandeira: “A luta não é mais o combate à inflação, mas contra os impostos elevados”.

Revista Veja

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O despertar do dragão

Por Marcio Aith (Revista Veja – Capa)

A palavra inflação não faz parte do cotidiano dos 50 milhões de brasileiros com menos de 15 anos de idade, assim como as mudanças freqüentes do nome do dinheiro brasileiro. Desde que veio ao mundo, esse contingente demográfico só consumiu e poupou em real, moeda cuja cédula de mais baixo valor ainda circula desde que foi lançada, em julho de 1994. Essas pessoas cresceram num ambiente de normalidade monetária. Já os demais brasileiros ainda registram na memória o poder destruidor da alta de preços que erodia o poder de compra da moeda e tornava a vida de todo mundo um inferno. Entre julho de 1974, ano em que o dragão da inflação nasceu no Brasil, e o lançamento do real, em junho de 1994, o índice geral de preços da Fundação Getulio Vargas registrou uma alta de 101 240 982 237 321%. É isto mesmo: cento e um trilhões e duzentos e quarenta bilhões por cento. Para se ter uma idéia, se um alfinete comum de aço aumentasse de tamanho esses mesmos 101,24 trilhões por cento, acabaria por atingir o peso de mais de 900?000 toneladas – o suficiente para abastecer o mercado interno nacional por quinze dias. Um litro de água cujo volume crescesse nessa proporção equivaleria a 1 bilhão de metros cúbicos – ou toda a água distribuída na Grande São Paulo em um ano. Um quilo de feijão cujo peso aumentasse em tal proporção representaria a produção brasileira de 312 anos seguidos.

Pois o monstro da inflação, que parecia derrotado não só no país, mas no mundo, voltou a assombrar. O sinal de alerta acaba de ser aceso. Os preços internacionais de produtos básicos e essenciais – entre eles o petróleo, os metais e os alimentos – passaram a subir rapidamente, trazendo uma amea-ça não vista desde as crises do petróleo dos anos 70. Mesmo economias sólidas e com antecedentes exemplares de disciplina monetária passaram a enfrentar um inesperado aumento no ritmo de elevação dos preços. De acordo com estimativas compiladas pela revista inglesa The Economist, dois terços da população mundial de-verá conviver com inflação acima de 10% neste ano. A velocidade no reajuste de preços aumentou em todos os cantos do globo (veja quadro), do Chile à China, dos Estados Unidos à Austrália. Inesperadamente, a globalização, que até pouco tempo atrás exportava preços baixos, passou a disseminar inflação. “É um fogo com o qual não vale a pena brincar”, alerta Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

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A Batalha Mundial contra a Inflação:

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Inflação


A revista Veja traz em sua última edição (essa que você encontra nas bancas a partir de hoje) uma matéria especial sobre o “despertar do dragão”. A partir de agora daremos destaque para alguns trechos.

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ALERTA: CESTA BÁSICA SUBIU ATÉ 30%

Já não bastava a quantidade de imposto que o povo paga e o governo quis criar mais um, a nova velha CPMF! E vai continuar querendo! Esse governo não vê o que está fazendo? Nos últimos 12 meses, o preço da cesta básica aumentou 30%. E 20% foram só nos primeiros meses de 2008. E o governo quer criar mais um imposto, para os preços ficarem ainda mais caro e a inflação desandar de novo.
Xô imposto. Xô inflação!!!!

Vejam a matéria do Estado de São Paulo:

Cesta básica subiu até 30% em 12 meses

Cesta básica subiu 29,79% na capital mineira em 12 meses até abril e hoje custa R$ 228,32, a mais cara do País

O preço da cesta básica consumida pelo brasileiro subiu até 30% nos últimos 12 meses encerrados em abril. Só em quatro meses, de janeiro a abril deste ano, a alta beira a 20%, aponta a Pesquisa da Cesta Básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O órgão apura a variação dos preços de 13 alimentos básicos em 16 capitais. Em abril, o valor da cesta básica aumentou em todas as cidades pesquisadas.
“O que chama atenção é magnitude da variação em 12 meses e este ano”, diz o coordenador da pesquisa, José Maurício Soares. Das 16 capitais pesquisadas, a maior alta de preço da cesta básica em 12 meses até abril foi verificada em Belo Horizonte (29,79%). Fortaleza teve o maior aumento da cesta básica este ano (19,25%) e em abril (7,84%). São Paulo, onde a cesta em abril custava R$ 227,81, a segunda mais cara do País, perdendo só para Belo Horizonte, a alta foi de 1,73% no mês, apesar do aumento de 20,66% em 12 meses e 6,14% no ano.
A elevação da cesta básica em todas as capitais em 12 meses supera de longe a variação do salário mínimo no mesmo período, que foi de 9,21%, observa o economista. Ele destaca, por exemplo, que carne, leite, feijão, pão e óleo de soja subiram em todas as capitais nos últimos 12 meses até abril.
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